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Será que a Honda vai para a Fórmula E?

A movimentação da saída da Honda da Fórmula 1, foi uma decisão nada esperada. O mercado está em tranformação e é necessário analisar alguns pontos

A Honda chacoalhou a Fórmula 1 na semana passada com o anúncio de que sairá da categoria no final da próxima temporada, será o fim da parceria de três anos com a Red Bull  e de quatro com a Alpha Tauri (antes Toro Rosso). Em meio a todas questões levantadas diante a decisão, uma se mostra bem relevante: a Honda vai para a Fórmula E?

O caminho para a categoria de carros elétricos pode parecer o mais óbvio à primeira vista, afinal, a decisão de deixar a principal competição de automobilismo do mundo foi tomada com base na grande transformação que a indústria automobilística como um todo passa nesse momento.

Mas será que tem algo a mais? 

FORA DA FÓRMULA 1

A Honda parece ter anunciado sua saída naquele “momento antes de a desgraça acontecer”. A temporada está praticamente ganha pela Mercedes e isso deve se repetir ano que vem porque o regulamento da competição será o mesmo. Então, Honda e Red Bull lutarão para ser a segunda força da categoria, enquanto a Alpha Tauri tenta subir no meio do grid.

A virada de chave será em 2022, mas a Honda não quis esperar. Imediatamente após anunciar que não permanecerá na Fórmula 1, a montadora anunciou que permancerá na IndyCar até 2029, o que faz total sentido para a marca, já que lá eles são bem mais dominantes. 

LEIA TAMBÉM: A SAÍDA DA HONDA E AS QUESTÕES QUE ELA PROVOCA NESTE MOMENTO

DECISÃO ESTRATÉGICA

Para entender a saída da Honda da Fórmula 1, é preciso dar dois passos para trás e enxergar todo o contexto do mercado de automóveis. Com a decisão de diversos países proibirem a comercialização de novos veículos movidos a combustíveis fósseis, foi iniciada a corrida para o desenvolvimento de novas tecnologias, sustentáveis e baratas. 

Assim, ao mesmo tempo em que a Honda pesquisa e desenvolve células de combustível (FCV) que substituam os fósseis, ela também investe em baterias (BEV) e na produção de veículos elétricos. 

Ou seja, a Fórmula 1 deixou de ser relevante para a Honda porque a tecnologia utilizada na categoria terá pouca aplicabilidade nos planos futuros da montadora. E os custos estratosféricos da competição também contribuem para que a marca perca o interesse nela. 

Além do que, a Honda pode ter percebido que tem mais retorno (financeiro, tecnológico, de marca) diversificando seus investimentos do que aplicando tudo em duas categorias.

MAS E A FÓRMULA E?

Bom, a Honda tem como objetivo ver ⅔ das suas vendas globais serem representadas por carros elétricos até 2030, somando-se a isso, o Gen3 chega à Fórmula E na temporada 2022/23, logo, a Fórmula E seria o próximo passo da Honda, não é mesmo?

Aparentemente não.

Nem a montadora nem a categoria declararam publicamente seu interesse em firmar uma parceria nos próximos anos. Pode ser que o CEO da Fórmula E, Jamie Reigle (que mora em Hong Kong), tenha mandado uma mensagem para os japoneses? Sim, é uma possibilidade, mas até o momento, nada se falou sobre o assunto. 

O site The-Race.com revelou que a Honda fez um teste “por baixo dos panos” na Fórmula E. Ainda na primeira temporada, os japoneses e a Amlin Aguri (hoje Techeetah) trabalharam juntos no sistema de recuperação de energia e na gestão do MGU.

Foto: Sam Bloxham/LAT/ Formula E

A história foi relatada por Peter McCool, diretor técnico da equipe na época, segundo ele “A Honda estava fazendo o que todos os outros fabricantes estavam fazendo na época, que era apenas assistir realmente”. Os engenheiros da Honda chegaram a ir para algumas corridas em 2015, o plano era integrá-los ainda mais na segunda ou terceira temporada.

A aproximação não deu certo justamente porque a Honda decidiu ir para a Fórmula 1. 

Por enquanto, nenhuma outra equipe entrará na categoria, então uma possibilidade para a Honda seria a parceria com algum time já existente. Embora já se saiba que as baterias da terceira geração de carros da Fórmula E serão produzidos pelas Williams Advanced Engineering, estar na competição seria sim relevante para a Honda, visto que uma de suas conterrâneas também está lá, a Nissan. 

Sem falar que dificilmente alguém do grid da Fórmula E diria não para uma proposta da Honda.

Uma outra possibilidade para a montadora agora é a PURE ETCR, campeonato de turismo que utilizará carros de rali em suas provas e que possui apoio da Discovery. A Hyundai já está nessa e a Williams é a fornecedora das baterias também.

 

Mas voltando para a Fórmula E, talvez o principal desejo da categoria agora seja a criação de uma categoria de apoio. Não necessariamente nos moldes da já não mais existente Jaguar I-PACE eTROPHY, com carros de turismo, mas uma competição de suporte, até uma de base com pilotos mais jovens e carros de fórmula ao invés de turismo. 

Como falado na live do dia 06/10 (vídeo abaixo), a Jaguar I-PACE eTROPHY pode ter acontecido no momento errado, o que não quer dizer que as portas para uma série de suporte à Fórmula E estejam fechadas, longe disso.

A Fórmula E é uma categoria que se consolida a cada ano e certamente quer se firmar até seu 10º aniversário, além de mostrar que é uma realidade e uma possibilidade de carreira para pilotos, equipes, patrocinadores, etc. Ter sua própria categoria de base como alicerce ajudaria muito nesse processo e um parceiro como a Honda seria uma grande catapulta para o projeto.

O The-Race.com também revelou que uma segunda categoria é assunto de conversa entre a Fórmula E e seus parceiros parceiros, isso de acordo com Frederic Espinos, diretor esportivo da FE.  

Mas a verdade é temos que esperar para ver quais os próximos passos desses dois personagens e torcer para que eles se encontrem em algum momento. 

Foto: Fórmula E

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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