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Red Bull e AlphaTauri: análise de seis nomes para duas vagas

Equipes irmãs ainda não definiram dupla para 2021; a análise refere-se a Alex Albon, Daniil Kvyat, Sergio Pérez, Nico Hulkenberg, Yuki Tsunoda e Sérgio Sette Câmara

A equipe austríaca, juntamente com sua irmã mais nova AlphaTauri, são com a Mercedes as únicas que não têm ainda certa sua dupla de pilotos para a próxima temporada da Fórmula 1. Na escuderia alemã, o heptacampeão Lewis Hamilton deve continuar e não há indícios de mudança. Já na família Red Bull as possibilidades estão abertas e é isso que pauta o texto do Boletim do Paddock de hoje.

Tudo começou em 2005, quando a empresa de bebidas energéticas Red Bull estreou com sua equipe na F1. Em 2006, estreou seu segundo time, a Toro Rosso (AlphaTauri). A história dos touros vermelhos passa por conquistas importantes e revelação de talentos. Num misto de oportunidades e pressões, a família Red Bull é importante para jovens pilotos que almejam o sonho de correr – pois ela realmente tem a filosofia de apostar nos mais inexperientes.

Sebastian Vettel, Monza 2008. Max Verstappen, Barcelona 2016. Pierre Gasly, Monza 2020. Daniel Ricciardo, Hungria 2014. Daniil Kvyat, Hockenheim 2019. Alguns exemplos para ilustrar o que jovens pilotos podem fazer quando têm oportunidades.

Apesar do sucesso com diferentes pilotos, dois experientes são especulados para serem companheiros de Max na próxima temporada: o mexicano Sergio Pérez de 30 anos e o alemão de 33 Nico Hulkenberg. Checo é atualmente o quarto colocado no campeonato e vem de uma primeira vitória na carreira brilhante ao vencer neste último domingo (06) em Sakhir (Bahrein). Hulk não corre regularmente nesta temporada e chegou a substituir Pérez e Lance Stroll na Racing Point, deixando bons desempenhos e ajudando a equipe dos carros rosa com 10 pontos nos construtores.

Nico Hulkenberg e Racing Point – Foto: Racing Point

Alexander Albon, o tailandês de 24 anos estreou pela Toro Rosso em 2019. Rapidamente teve bons desempenhos, como na China ao fazer boa corrida largando de último e chegando à pontuação. Enquanto Alex ia bem no time italiano de família austríaca, Pierre Gasly vivia desempenho significativamente abaixo ao de Verstappen. Assim como o holandês substituiu Daniil Kvyat com o campeonato de 2016 em andamento, Albon substituiu o colega francês com 2019 rolando.

É a tal da pressão misturada com oportunidade. Pierre saiu de um contexto de pressão e retornou a STR que já havia corrido. Pode-se imaginar que isso não foi bom para ele. Depende do ponto de vista. A F1 é uma categoria difícil, só de estar nela é um desafio. O melhor que o francês poderia fazer era não deixar a peteca cair e pisar fundo no acelerador para mostrar bom trabalho na Toro Rosso, e foi o que ele fez. O pódio em Interlagos simbolizou a volta por cima de Pierre Gasly.

O que dizer então da vitória em Monza pela AlphaTauri? Se o pódio conquistado no tal autódromo da zona sul de São Paulo havia simbolizado a volta por cima, a vitória na tal pista italiana havia mostrado de vez que Pierre é um talento e um nome a ser seriamente pensado na Red Bull ou em outra equipe grande no futuro.

A primeira vitória de Pierre Gasly em Monza- Foto: Red Bull Racing

Enquanto Pierre cresceu e evoluiu correndo novamente por uma equipe menor, o mesmo poderia acontecer com Alex. Claro, nada impede dele crescer a bordo da Red Bull. Apenas trata-se de olhar o presente e o futuro próximo. Albon coleciona boas corridas em sua trajetória. Além da performance na China, pode colocar na conta outras corridas como sua espetacular performance na Bélgica em 2019 já de RBR – era a sua estreia no time, ele largou em 17º e não demonstrou grandes dificuldades com um carro diferente e chegou em quinto.

Quando falo em pensar no presente, é ver que Alexander oscila com frequência e isso se reflete na tabela de pontos. O tailandês tem carro para ser quarto colocado na tabela de pilotos, ficando atrás apenas de seu companheiro e das Mercedes – porém, ele está atrás de Sergio Pérez (Racing Point), Daniel Ricciardo (Renault), Charles Leclerc (Ferrari) e Carlos Sainz (McLaren).

Consistência é a palavra ideal para pensar que Checo é a melhor opção para a Red Bull. O mexicano soma 125 pontos no campeonato e com duas corridas a menos (que ficou fora por Covid-19). Sua média de pontos é 8,9. Na regra, o quinto lugar leva 10 pontos e o sexto 8. É como se Sergio em quase todas as corridas estivesse por ali. E em um ano que já tivemos corridas atípicas e desafios bem interessantes, é realmente uma boa pontuação.

Sergio Pérez, presente desde 2011, em sua décima temporada, o mexicano enfim conquista sua primeira vitória. Ele já correu por Sauber, McLaren e Force India. A Racing Point de hoje é a Aston Martin de amanhã e já conta com sua dupla – Lance Stroll e Sebastian Vettel. O mexicano perdeu lugar para o tetracampeão. Por enquanto, sem equipe para 2021. Ele mesmo já falou abertamente em não competir no ano que vem se não for pela RBR.

Após a estreia em 2005, não demorou para a Red Bull assumir o status de equipe grande. Em 2009 foi a vice de construtores e a vice de pilotos com Vettel. Desde então não saiu mais do rol das principais equipes. Em 2019 ela foi a terceira colocada nos construtores e a terceira na tabela de pilotos com Max Verstappen. Este ano com o regresso técnico significativo da Ferrari, ela conquistou o vice de equipes e ao menos o terceiro lugar de pilotos (novamente com Max) sem dificuldades – o holandês ainda tem chance de superar Valtteri Bottas pelo vice de pilotos. Em tese não precisaria apostar em um piloto mais experiente já que em 2021 com a vigência do atual regulamento, a composição das forças não deve ter grandes alterações.

Sergio Perez conquistou a sua primeira vitória no GP de Sakhir – Foto: Racing Point

Porém pensar em Checo é pensar também em 2022. Com o novo regulamento, ter um piloto mais consistente e experiente pode render pontos preciosos a depender de como poderá ser a composição de forças. Pérez não está no auge porque venceu em Sakhir, e sim venceu por estar no auge. Sergio é seis anos mais velho do que Albon e Gasly. A idade na F1 tem um reflexo importante em termos de temporadas disputadas. Não é errado pensar que o tailandês e o francês podem, depois que o mexicano se aposentar, disputar ainda algumas temporadas a mais. Alexander de volta na AlphaTauri pode ser uma boa para ambas as equipes.

E Nico Hulkenberg? Hulk também poderia ser uma boa na perspectiva da experiência. Porém ainda precisaria se readaptar. Por mais que ele já conheça como as coisas funcionam na F1, correr com frequência ainda é diferente de correr esporadicamente. Claro, a readaptação de um piloto já de grande rodagem como Hulk não deve ser um grande problema. Apenas é um algo a mais Albon e Pérez não precisarem passar por essa readaptação.

Se a Red Bull escolher permanecer com Alex, não quer dizer que não dará certo. Cada um tem a sua história e trajetória. Pierre deu certo ao retornar para a equipe irmã. De repente Albon consiga se firmar recebendo novas doses de confiança e oportunidade. É uma possibilidade, talento ele tem.

Max Verstappen e Alexander Albon no GP do Bahrein – Foto: Red Bull Racing

A AlphaTauri já tem confirmado Pierre Gasly, porém não há ainda alguém para fechar dupla com o francês. Kvyat tem 26 anos e não seria errado dizer que com experiência na equipe e já certa rodagem na categoria, não se encaixa no perfil histórico de apostar em jovens – o que também não é impedimento de continuar. Essa aposta em pilotos mais novos não costuma ser apenas em termos de idade, mas de rodagem em si – foi assim com o próprio Daniil no passado, também com Sebastian e Max por exemplo.

Um dos pilotos da escola de jovens da Red Bull é o japonês de 20 anos de idade Yuki Tsunoda. O piloto da Fórmula 2 é um nome forte para substituir Kvyat na próxima temporada. Tsunoda terminou o atual campeonato da F2 em terceiro lugar e assim conseguiu a superlicença para poder correr na F1. Yuki colecionou bons resultados na temporada e seria um nome bastante pertinente se pensar no histórico da aposta em jovens.

Outro nome que faz parte do programa de jovens pilotos é o brasileiro de 22 anos Sérgio Sette Câmara. Sérgio é piloto reserva e de teste da AlphaTauri e RBR. Câmara já possui também a superlicença e está apto a ser o escolhido. Claro, seria ‘bão’ demais ver nosso mineiro na categoria.

Confira: Sérgio Sette Câmara vai disputar a 7ª temporada da Fórmula E com a Dragon
| Photographer: Lou Johnson| Event: Marrakesh City E-Prix| Circuit: Circuit International Automobile Mouley el Hassan| Location: Marrakesh| Series: FIA Formula E| Season: 2019-2020| Country: Morocco|| Driver: Sergio Sette Camara| Team: Geox Dragon| Car: Penske EV-4|| Session: Test|

Daniil Kvyat tem até aqui uma temporada inferior ao do companheiro, e não é só pelos pontos, também pela melhor pilotagem de Pierre. Daniil teve como melhor resultado e performance neste ano, o quarto lugar em Imola. Caso continue na equipe para 2021 e além, sua maior experiência e conhecimento do time podem ajudar no novo regulamento em 22.

Seja um nome mais ou menos experiente, seja com novidade ou com a manutenção dos mesmos, Red Bull e AlphaTauri têm boas e diferentes opções para escolher. Novamente naquela questão de oportunidade e pressão: Max e Gasly estão em alta; Alex e Kvyat estão precisando mostrar mais e já mostraram em outros momentos; Pérez está em seu auge e demonstra motivação para aceitar a RBR; Hulk não está em alta como Pérez, porém não tem a mesma pressão de Albon; Tsunoda e Câmara são bons nomes para a AlphaTauri, a questão também é saber se Albon terá alguma preferência caso saia da RBR e Kvyat não continue.

A análise dos seis nomes é feita observando de fora, e assim tentamos chegar a pilotos que podem correr nessas equipes. Internamente não sabemos o que acontece na Red Bull e AlphaTauri, se há, por exemplo, outros nomes que não analisamos sendo cotados.

E você leitor, gostaria de ver quais pilotos em ambos cockpits?

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