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Raio-X do GP de Portugal

A falta de aderência e os pneus ditaram o desenvolvimento desta corrida. Alerta importante para a disputa do terceiro lugar do campeonato de construtores que se permanece viva

Texto após texto seguimos falando sobre a grandeza de Lewis Hamilton, neste caso é realmente inevitável já que ele segue em alta, conquistou a 92ª vitória da carreira e a 97ª pole. O piloto que está mais perto do número 100 em ambas as marcas, além disso Hamilton tem uma leitura das corridas que acaba trazendo o sucesso.

Bom, mas vamos ao GP de Portugal, o primeiro realizado no Circuito do Algarve, uma pista muito elogiada pelos fãs, mas de grande dificuldade para os pilotos que precisaram lidar com o seu sobe e desce, além da falta de aderência e o problema com o desgaste dos compostos.

Não é possível reclamar daquele início de corrida movimentado, que contou até mesmo com a McLaren liderando algumas voltas. E após esta corrida vamos falar sobre cada equipe, seguindo a ordem do campeonato de construtores:

Mercedes

Lewis Hamilton bate recorde de vitórias em Portugal – Foto: Mercedes/Daimler

Aquele clássico fim de semana com os treinos livres liderados pela Mercedes, realmente a única equipe que não temos dúvida da sua posição na pista. No entanto com o seu feedback durante todas as sessões de treinos livres era possível saber que a pista estava realmente difícil de guiar, além disso Hamilton informou por diversas vezes que os pneus não estavam chegando à temperatura necessária para gerar aderência.

A classificação foi bem disputada entre os companheiros de equipe, Valtteri Bottas esteve próximo de conseguir a pole após liderar todos os treinos livres, mas o Circuito do Algarve evoluía a cada volta e Lewis Hamilton optou por dar três voltas no final, enquanto o finlandês arriscou apenas um giro com os pneus médios. Isso fez diferença no desempenho e o inglês cravou a pole de número 97.

No domingo a prova esquentou no começo, Hamilton perdeu a liderança para Bottas e o finlandês para Carlos Sainz da McLaren, o que deixou as primeiras voltas da corrida mais interessante. Mas Hamilton se recuperou e a desvantagem que teve por largar com os pneus médios se tornou vantagem para o inglês pouco depois, podendo recuperar a segunda posição e depois assumir a liderança. Hamilton bateu o recorde de Michael Schumacher e se tornou o maior vencedor da história.

Valtteri Bottas voltou a perder para Hamilton, mesmo assim fez uma grande corrida, ampliando a vantagem que tem na disputa com Max Verstappen.

Red Bull

Portimão – A diferença entre Verstappen e Albon fica mais acentuada – Foto: Red Bull Racing

A disparidade entre Max Verstappen e Alexander Albon segue como uma questão a ser observada a cada corrida. O holandês voltou a disputar a pole e conquistar mais um pódio, além disso ele segue marcando território, abalando um pouco a total confiança que a Mercedes tem com o seu desempenho.

O que sobra em ritmo no carro de Verstappen, falta para Alexander Albon que acaba encontrando muito dificuldade para lidar com os pneus. Outro problema é que quando o tailandês é jogado no meio de pelotão após o pit-stop, noto que existe uma dificuldade para chegar e passar, desta forma a goma dos compostos fica rapidamente gasta, comprometendo o seu desempenho como um todo.

Neste fim de semana Verstappen garantiu os pontos para a Red Bull, enquanto Albon terminou a prova na décima segunda posição.

Racing Point

Sergio Pérez garantiu alguns pontos para a Racing Point, enquanto Lance Stroll acabou abandonando a prova – Foto: Racing Point

Sobre a Racing Point é importante dizer que todo aquele destaque do início da temporada se perdeu ou se desfez em meio a outros conflitos travados pela equipe. E neste jogo da disputa pela terceira posição do campeonato de construtores é importante lembrar que a equipe segue trabalhando para garanti-lo, no entanto, nesta prova apenas Sergio Pérez conseguiu conquistar pontos.

O mexicano somou seis pontos, os mesmos seis pontos conquistados pela Renault com os dois pilotos que terminaram a corrida na zona de pontuação. Infelizmente Lance Stroll se evolveu um incidente com Verstappen durante o TL2 e na corrida o canadense acabou se tocando com Lando Norris e acabou perdendo a chance de realizar uma corrida melhor, e por fim acabou abandonando.

Confira: Racing Point é advertida por não avisar sobre o resultado positivo de Covid-19 de Stroll. A situação provocou análise

A Racing Point esteve perto de não conquistar nenhum ponto na rodada, pois Pérez se tocou com Verstappen após a largada e caiu para o vigésimo lugar. Depois deste incidente o mexicano passou a realizar uma corrida de recuperação, galgando posições importantes para no fim terminar a corrida em sétimo, mesmo sendo ultrapassado por Pierre Gasly e Carlos Sainz no fim da prova. Momento difícil para o time, mas a disputa pela terceira posição segue viva.

McLaren

Carlos Sainz, o espanhol liderou algumas voltas do GP de Portugal – Foto: McLaren Media

Passaram o fim de semana trabalhando para estar entre os dez, ainda que fosse difícil mensurar a sua real posição no grid. Na classificação os pilotos conseguiram garantir a sétima e a oitava posição.

O ponto de destaque na prova para a McLaren foi o momento da largada, quando Carlos Sainz saiu do sétimo lugar, fatiando o grid para chegar aos primeiros colocados e na segunda volta estar liderando a corrida. Um ponto que abordamos durante o #BPCast, onde falamos desta leitura e dos pneus macios que auxiliaram nesta largada difícil, onde os pilotos estavam lidando com a falta de aderência dos pneus e as temperaturas baixas.

Sainz poderia ter realizado uma corrida melhor, mas quando os seus pneus perderam desempenho, o piloto se tornou um alvo fácil na pista, sendo ultrapassado pelos rivais. O que parecia ser a chance certa de uma quarta posição, se mostrou um trabalho árduo e difícil de alcançar. O espanhol cruzou a linha de chegada em sexto.

Por outro lado, Lando Norris que teve a sua corrida comprometida após a batida com Lance Stroll e depois disso não conseguiu se recuperar, andando no meio do pelotão, mas abaixo dos dez primeiros colocados. O piloto que defende o carro de número #4 foi apenas o décimo terceiro colocado.

Escute o nosso podcast sobre o GP de Portugal! 

Renault

Esteban Ocon no GP de Portugal – Foto: Renault Media

O pódio de Daniel Ricciardo foi algo muito comemorado pós GP de Eifel, mas neste GP o time não obteve o mesmo desempenho. Nesta corrida, os carros do time francês enfrentaram problemas com os pneus e a aderência da pista. A grande desvantagem nas retas era notada, principalmente durante a corrida e desta forma aqueles que começaram a corrida em décimo e décimo primeiro, só conseguiram o oitavo e nono lugar.

Daniel Ricciardo acabou batendo no Q2 e garantiu a décima posição no Q3, já Ocon não passou da segunda fase da classificação. A corrida também não foi marca por um ponto forte, justamente por conta destas adversidades envolvendo pista e asfalto.

Com o desempenho que tinham, ainda foi possível garantir alguns pontos já que terminaram na zona de pontuação com os dois carros. A diferença para a McLaren é de quatro pontos e para a Racing Point, seis.

Ferrari

Sebastian Vettel conquistou apenas um ponto – Foto: Ferrari Media

O time já estabeleceu o trabalho que será realizado com as atualizações até o fim da temporada. Desta forma o time italiano está tentando conquistar mais pontos e tentar entrar nesta disputa que ocorre entre Racing Point, McLaren e Renault, mas também se defender da AlphaTauri.

E assim como falei da disparidade entre Verstappen e Albon, o mesmo acontece na Ferrari, Charles Leclerc segue entregando resultado e levando alguns pontos importantes para a equipe italiana, enquanto Sebastian Vettel briga para chegar na zona de pontuação.

Confira: Ferrari vai levar atualizações para Portimão, buscando uma classificação melhor

Não é um desempenho esperado de um piloto como Vettel, mas infelizmente vem acontecendo. Por aqui, já falamos outras vezes do desenvolvimento do carro e do trabalho realizado ser diferente para os dois pilotos, mas além disso vemos algo a mais entre o relacionamento máquina e piloto.

Justamente julgando a seguinte situação como confortável para Leclerc, o monegasco aproveita para mostrar o seu trabalho e lidar melhor com os recursos fornecidos para ele, enquanto a Ferrari e Vettel tentam se resolver para terminar a temporada juntos. De todo modo o time de fato conseguiu se manter em uma posição confortável na classificação, onde Leclerc começou a corrida, mais uma vez do quarto lugar e estabeleceu um desempenho confortável durante a prova.

AlphaTauri

Pierre Gasly conseguiu realizar algumas ultrapassagens ao final da corrida e fechou na quinta posição – Foto: AlphaTauri

A AlphaTauri segue chamando a atenção, principalmente com Pierre Gasly que está aparecendo entre os primeiros colocados e ousando em um melhor desempenho. Neste fim de semana não foi diferente e apesar a adversidade que ocorreu durante o segundo treino livre quando o motor do seu carro pegou fogo, o restante dos dias em Portugal se mostrou bem sólidos e com um grande trabalho.

O francês começou a corrida da nona posição, trabalhou com o objetivo de conseguir realizar ultrapassagens e terminou a prova na quinta posição, após ultrapassar Pérez durante às últimas voltas. Gasly voltou a conquistar pontos e levar a AlphaTauri para a zona de pontuação, após lidar bem com a falta de aderência os problemas que o carro precisava líder com as rajadas de vento que surgiam pelo circuito.

Por outro lado, foi possível ver Daniil Kvyat reclamando da dificuldade para lidar com o carro e o início de corrida complicado que o russo enfrentou.

Alfa Romeo

Kimi Raikkonen teve um bom salto durante a largada, mas a Alfa Romeo terminou fora da zona de pontuação – Foto: Alfa Romeo

A dupla da Alfa Romeo também reclamou da falta de aderência durante todo o fim de semana, desta forma foi difícil de adquirir ritmo. Os pilotos terminaram fora da zona de pontuação, mas é importante lembrar da largada de Kimi Raikkonen, onde a equipe apostou em uma largada com os pneus macios, que acabaram levando o finlandês para a sexta posição e a uma corrida onde Raikkonen permaneceu por muito tempo entre os dez.

Os pneus acabaram influenciando no desempenho da prova dos dois pilotos, mas agora ambos vão encarar o desafio em Ímola, onde esperam aparecer na zona de pontuação, além de obter uma classificação melhor.

Haas

A Haas teve um fim de semana apagado em Portugal – Foto: Haas Media

Antes do início das atividades para o GP de Portugal, a Haas anunciou que não vai renovar o contrato com Romain Grosjean e Kevin Magnussen para a temporada 2021, desta forma os pilotos já correm em clima de despedida do time.

Durante todo o fim de semana a dupla esteve apagada e rodando nas últimas posições. Para o começo da corrida, Magnussen apostou na utilização dos pneus duros, mas a pista que se comportou feito um sabão, não trouxe nenhum benefício para o dinamarquês.

Assim como para Romain Grosjean que enfrentou problemas com o carro nas retas e não conseguia trabalhar em ultrapassagens. Mais uma vez o time sai zerado de uma etapa.

Williams

George Russell ficou boa parte da corrida entre os dez – Foto: Williams Racing

A Williams segue trabalhando nas últimas posições, mas em Portugal vimos Russell conseguindo avançar para o Q2 e até cmanteve um bom desempenho durante a corrida, onde foi possível ver o piloto entre os dez.

Mas o time não conquistou pontos nesta etapa, Russell ficou com a décima quarta colocação, enquanto Nicholas Latifi foi o décimo oitavo, terminando uma posição a frente de Daniil Kvyat. É duro notar que o time segue brigando com principalmente com Alfa Romeo e Haas, mas ainda não conquistou nenhum ponto na temporada.

 

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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