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Raio-X do GP de Portugal – Os ventos foram um dilema no Algarve

A terceira prova da temporada contou com pole de Valtteri Bottas e vitória de Lewis Hamilton

A terceira prova da temporada marca mais um capítulo da disputa pelo campeonato de pilotos, a grande batalha travada entre Lewis Hamilton e Max Verstappen, pilotos que estão separados por apenas 8 pontos.

Agora vamos falar sobre o fim de semana de cada equipe e seus desempenhos nesta rodada e pontos conquistados já que até o final desta temporada tem muita coisa para acontecer.

Os fortes ventos influenciaram o rendimento das equipes, foi uma questão que atrapalhou muito durante todo o fim de semana, prejudicou voltas na classificação e contribuiu para os pilotos extravasarem os limites de pista.

Mercedes

Lewis Hamilton no GP de Portugal – Foto: Mercedes/Daimler

101 pontos

De certa forma a Mercedes demonstrou um desempenho mais forte que o da Red Bull durante todo o fim de semana, a dupla liderou dois treinos livres, enquanto Valtteri Bottas conseguiu registrar a pole no sábado. Mesmo com alguns danos que os carros sofreram ao final da sexta-feira, eles estavam confiantes com o ritmo de corrida dos dois pilotos, algo que se mostrou muito importante no domingo.

No entanto um desafio as duas equipes (Mercedes e Red Bull) tiveram em comum: lidar com uma pista bem escorregadia, com a traseira se perdendo em alguns trechos e os fortes ventos, foram uma dificuldade que apimentou a disputa pela pole, mas também a corrida.

Após a classificação, Toto Wolff ressaltou a volta da dupla dominando a ponta, já que não conseguiram obter a mesma performance nas duas primeiras corridas da temporada. Um lance interessante na classificação foi a equipe apostar pelos pneus médios para a última volta, foi uma jogada pois o carro estava rendendo com os dois tipos de compostos e no ano passado eles definiram a pole com os médios, então resolveram arriscar em 2021.

Partindo para a corrida, Valtteri Bottas largou da ponta, conseguiu sustentar a posição, mas o piloto ainda precisou enfrentar o companheiro de equipe, após Hamilton realizar a ultrapassagem em Verstappen. O finlandês também perdeu a posição para o rival da Red Bull, mas a Mercedes explicou que a diferença entre o seu piloto e Verstappen acabou se estabilizando por conta de um problema sofrido no motor do W12 de Bottas, um sensor fez o motor entrar em modo se segurança, comprometendo a batalha entre eles.

Lewis Hamilton demonstrou mais uma vez a sua força, superou Max Verstappen depois de perder a posição para o seu rival na relargada da corrida. O inglês conseguiu administrar a ponta e a distância para Verstappen, conquistando a 97ª vitória e a segunda da temporada. O piloto definiu a prova como exaustiva fisicamente e mentalmente, os ventos fortes induziam os pilotos a erros.

Red Bull

Pódio do GP de Portugal – Foto: Red Bull Racing

83 pontos

Com o encerramento da prova, Max falou que algo no traçado deste circuito não casou com o carro da Red Bull, tornando o fim de semana bem complicado para a equipe, que não conseguiu encontrar aderência e nem ritmo.

O time pontuou com os dois carros, mas foi um fim de semana difícil, os ventos e os limites de pista dificultaram o desempenho da Red Bull. Max Verstappen liderou o TL3, mas desde o começo do ano é um forte candidato a fazer a pole.

LEIA MAIS: Max Verstappen lidera TL3 em Portugal desbancando a dupla da Mercedes

O holandês veloz como sempre, partiu para o Q3 com os pneus macios, seu primeiro tempo foi deletado por ter extravasado os limites de pista – os ventos se acentuaram ao final da sessão – o piloto instalou um novo conjunto de pneus macios e partiu para mais uma volta rápida, mas não conseguiu bater os tempos estabelecidos pela dupla da Mercedes e largou da segunda fila.

Max aproveitou o momento da relargada para atacar Hamilton e garantir a segunda posição, o piloto tentou estabelecer uma distância para o rival, mas a estada acabou em poucas voltas, o inglês retomou P2. O piloto da Red Bull precisou trabalhar para obter a segunda posição, a equipe partiu para a estratégia e ganhou a posição com a parada nos boxes, onde Verstappen trocou os pneus médios pelos duros, ganhou uma volta para aquecer os compostos; somente no giro seguinte a Mercedes parou Bottas, Verstappen ganhou a posição pouco depois do finlandês deixar o pit-lane com um pneu que ainda estava freio.

Verstappen também desfrutou dos problemas no carro de Bottas – o motor que entrou em modo de segurança – para correr livre na segunda posição.

Quando Hamilton foi para os boxes, Sergio Pérez assumiu a liderança da prova, com os pneus que apresentavam uma conservação melhor – um bom trabalho realizado pelo mexicano – desta forma ele pode esticar o seu stint. Uma boa tática, já que um Safety Car poderia ser ativo.

Pérez ainda precisou enfrentar Nikita Mazepin que ignorou as bandeiras azuis, não dando espaço para ele. Mas a parte mais engraçada foi na aproximação de Hamilton que confundiu o mexicano com um piloto retardatário, se questionando sobre o piloto da Red Bull não dar espaço para ele – Hamilton foi informado pelo rádio que na verdade ele estava disputando posição com aquele piloto mesmo.

Podemos dizer que a atuação dos dois pilotos da Red Bull foi muito positiva. Vertappen tentou a volta mais rápida para conquistar mais um ponto, mas novamente os limites de pista impediram o piloto. Mesmo assim a sua segunda posição é bem-vinda para a sua disputa pelo título.

O mexicano largou da quarta posição, perdeu espaço na largada para Carlos Sainz, mas retomou o seu lugar de origem e terminou em P4, protagonizando um final solidário na pista. Os pontos conquistados pelos dois pilotos da Red Bull, deixam a equipe separada da Mercedes por apenas 18 pontos, o que não é uma situação ruim, já que os austríacos também estão de olho no campeonato de construtores.

McLaren

McLaren – Foto: McLaren

53 pontos

Eles seguem na terceira posição do campeonato de construtores, tanto Lando Norris quanto Daniel Ricciardo levaram pontos para casa, mas em desempenhos bem diferentes.

Primeiro falando sobre o australiano, ele segue em sua fase de adaptação, mas com um desempenho um pouco mais questionado por ser a terceira etapa do ano. Além disso o australiano passou os treinos livres e classificação informando para a equipe que estava gostando do comportamento do carro e se sentindo bem. Mas durante a classificação ele não conseguiu entregar um bom resultado e acabou largando de décima sexta posição.

O australiano realizou uma corrida de recuperação, aproveitou a largada e a relargada para conquistar algumas posições, terminando a prova em P9, onde também se aproveitou da queda de desempenho de Carlos Sainz.

Lando Norris é um piloto que vem se destacando, principalmente quando esperavam mais de seu companheiro de equipe. Desta forma o piloto da McLaren vem representando o time com posições melhores. O piloto começou a corrida de P7, travou algumas disputas na pista para fechar a prova em p5, se posicionando logo atrás dos pilotos da Red Bull e Mercedes.

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Ferrari

Carlos Sainz – Foto: Ferrari

42 pontos

Em Portugal a equipe esteve batalhando por mais pontos, Carlos Sainz superou Charles Leclerc em ritmo de classificação, começando a prova pelo P5, enquanto o monegasco era P8. A Ferrari tinha muitas expectativas para a pista e esperava um bom resultado.

Sainz foi um forte candidato a conquistar até um pódio, não só pela sua classificação, mas também pelo seu desempenho durante os treinos livres. Mas no fim das contas o espanhol teve um revés na segunda metade da prova, onde acabou perdendo espaço e ritmo e foi despencando no grid, onde finalmente terminou a corrida em P11. A Ferrari tem muita coisa para analisar, pois realmente não esperava este desempenho de Sainz ao final da prova.

Charles Leclerc terminou a corrida em P6, mas não ficou contente com o desempenho obtido no fim de semana. Os dados do monegasco também serão estudados, pois ele também apresentou uma queda da metade para o final da prova, onde a dupla acabou lutando com a granulação dos pneus. Mas o monegasco avaliou que não seria possível conquistar nada além de um quinto lugar, portando o P6 foi um resultado razoável.

Alpine

A Alpine conquistou pontos na terceira prova e superou AlphaTauri e Aston Martin – Foto: Apine

13 pontos

A equipe superou AlphaTauri e Aston Martin em pontos. Tanto Esteban Ocon, quanto Fernando Alonso somaram pontos nesta etapa – conquistando um P7 e P8 respectivamente. A equipe soube aproveitar a pista, mesmo com a classificação do espanhol não sendo ideal. Mas durante os treinos livres eles já chamavam a atenção por estarem rodeando o Top-10 (e no TL2, Alonso terminou a sessão em P5, acompanhando pelo francês em P6).

LEIA MAIS: Lewis Hamilton lidera TL2 em Portugal e mantém Mercedes na ponta

O time está aproveitando quando pode conquistar alguns pontos, afinal a sua batalha será realmente complicada, o grid está muito apertado e o time já relatou problemas com a evolução que foram feitas no carro.

Ocon parece ter casado com a pista e conseguiu extrair um bom trabalho com o seu equipamento, então eles conseguem deixar Portugal mais tranquilos.

AlphaTauri

Yuki Tsunoda – Foto: AlphaTauri

9 pontos

Pierre Gasly levou o único ponto conquistado pela equipe. Não foi um fim de semana agradável para o time, os dois pilotos lideram com a falta de ritmo, o francês ainda tentou brigar com o piloto da Ferrari, mas ao final da corrida ele ficou apenas com um P10.

LEIA MAIS: Tsunoda busca outra abordagem para o GP de Portugal

Yuki Tsunoda já esperava por um fim de semana complicado, pois não conhecia a pista, ‘a montanha russa’ seria uma novidade para o piloto. No fim o japonês não conseguiu lidar bem com a falta de aderência e dificuldade de equilíbrio no carro. Depois de Portugal resta analisar os dados e buscar um resultado melhor, investir na próxima corrida para conquistar pontos e segurar a briga com a Alpine, não se distanciando muito dos seus rivais.

Aston Martin

Sebastian Vettel realiza uma boa classificação, mas Aston Martin deixa GP de Portugal zerada – Foto: Aston Martin

5 pontos

A equipe deixou Portugal zerada, Sebastian Vettel e Lance Stroll não conseguiram um bom resultado na pista, todo o fim de semana foi bem complicado. Os treinos livres já não apostavam uma boa posição, os pilotos ficaram brigando para baixo do top-10. A classificação foi surpreendente, dado que o alemão conseguiu avançar para o Q3.

Vettel falou muito sobre os ventos, durante a classificação o piloto teve um bom desempenho no Q1 e no Q2, mas quando eles mudaram no Q3, ele não conseguiu buscar uma boa volta. Durante a corrida, a palavra falta de ritmo também acaba aparecendo para definir a corrida do alemão. Ele perdeu o top-10 e ficou disputando espaço com Antonio Giovinazzi – que o superou. Ele também perdeu terreno para a Alpine, desta forma terminou a corrida em P13.

LEIA MAIS: Mesmo sem as atualizações de Stroll, Vettel encontra ritmo para avançar ao Q3

Lance Stroll estava com o carro atualizado, mas não surtiu muito efeito na pista – Vettel receberá atualizações para Barcelona – o canadense recuperou algumas posições na prova e de P17 foi para P14, mas eles realmente não tinham como tirar mais do carro na pista. Os ventos também influenciaram nas ultrapassagens dificultando a aproximação e a conclusão delas.

Alfa Romeo

Kimi Raikkonen acaba batendo no companheiro de equipe na segunda volta – Foto: Alfa Romeo

0 Pontos

O primeiro ponto a se falar sobre a Alfa Romeo, é que a equipe tentou recuperar os pontos perdidos por Kimi Raikkonen em Ímola, quando ele acabou rodando atrás do Safety Car, mas eles não conseguiram reaver os pontos; a FIA optou por manter a decisão da Emilia-Romagna.

Partindo para o fim de semana da Alfa Romeo, o ritmo apareceu, eles conseguiram uma boa classificação avançando para o Q2 e estiveram na disputa por uma vaga no Q3 com Antonio Giovinazzi. Para a equipe a dificuldade de lidar com um pelotão intermediário tão apertado é grande, mas eles buscam uma classificação melhor.

LEIA MAIS: Após reavaliação, FIA mantém punição de Raikkonen do GP da Emilia-Romanga

Kimi Raikkonen largou da décima quinta posição, a Alfa Romeo apostou nos pneus macios para o piloto ter mais aderência na largada, mas na segunda volta o finlandês acertou o italiano, estragando a sua prova pois abandonou – foi neste momento que o Safety Car foi ativo. Raikkonen assumiu toda a culpa, informou que ao fazer um ajuste no volante e ao olhar mais uma vez para ver se a configuração estava certa, já estava próximo do companheiro de equipe e não pode evitar o toque. A sua asa dianteira foi danificada e ficou presa embaixo do carro.

Por sorte o pneu de Giovinazzi não furou, o italiano permaneceu na prova e terminou a corrida em P12, mas novamente a equipe deixa uma corrida zerada. O italiano teve uma corrida ok, mas não conseguiu avançar no pelotão para disputar o top-10, além disso em estratégia a Alpine acabou levando a melhor, já que permaneceu por mais tempo na pista e ganhou a posição do italiano e de Vettel, já que não conseguia realizar a ultrapassagem na pista. 

Williams

Nicolhas Latifi disputa espaço com a Haas – Foto: Williams

0 pontos

Os pilotos estão sentindo que o carro está avançando, onde é possível pensar em posições melhores, mas definitivamente este não foi um de semana para brigar por pontos. Eles também foram mais uma equipe a reclamar dos fortes ventos e do quanto a performance do carro ficou comprometida quando eles atacam.

George Russell avançou para o Q2 e ajudou o time a obter uma posição melhor para a largada (P11), mas na corrida o piloto terminou a prova em P16. Nicholas Latifi não conseguiu ajudar o time na classificação, mas durante a corrida batalhou com Mick Schumacher precisando lidar com o piloto da Haas, o seu resultado da prova foi P18.

Haas

Mick Schumacher enfrenta o piloto da Williams para obter uma posição melhor na corrida – Foto: Mick Schumacher

0 pontos

Não existe muito o que esperar da Haas, eles seguem no final do pelotão, mas Mick Schumacher está se mostrando um piloto aguerrido tentando extrair o melhor do seu equipamento e superar um dos carros da Williams é um bom feito, afinal o carro da Haas perde em performance para o dos rivais. Schumacher brilhou na sua disputa com Latifi e conseguiu o P17.

Enquanto Nikita Mazepin continua sendo um fiasco em seu rendimento. O piloto é o último do pelotão, mas conseguiu uma distância de um minuto para o companheiro de equipe. Além disso ignorou as bandeiras azuis, quando Sergio Pérez estava se aproximando, por fim ainda foi punido com cinco segundos e perdeu um ponto da superlicença. O russo não faz o mínimo com o carro da Haas.

 

 

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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