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Gen1, Gen2 e o futuro da Fórmula E

Apesar de apenas seis anos, os carros da Fórmula E evoluíram muito durante esse tempo

A Fórmula E é por si só uma categoria revolucionária. Por ser 100% elétrica, a competição busca levar ao mundo a conscientização sobre as mudanças climáticas e toda a questão ambiental que precisa ser debatida pela sociedade.

Um dos principais aliados nessa luta é a tecnologia que pode ser empregada nas mais diversas áreas, hoje falaremos especificamente dos carros utilizados na competição.

Ainda em 2014, a Fórmula E apresentou o Gen1. Totalmente inovador e movido 100% a eletricidade, era a máquina que apresentaria a competição para o mundo. A tecnologia disponível na época não permitia que as baterias durassem uma corrida inteira, então, durante os pit stops, os pilotos trocavam de carros.

Foram quatro temporadas com o uso do Gen1, até que em 2018, o Gen2 foi apresentado. O carro da temporada cinco era mais potente e possuía quase o dobro da capacidade energética utilizada pelo Gen1. E o melhor: a nova bateria duraria uma corrida inteira mesmo tendo basicamente o mesmo tamanho e peso que a anterior.

Na prática, o tempo de aceleração de 0-100km/h caiu para 2,8 segundos (uma redução de 0,2 segundos) e a velocidade máxima saltou de 225km/h para 280km/h. A potência máxima utilizada durante as corridas também subiu de 150kW para 200kW, mas a utilização do Fanboost e do Modo Ataque podem elevar ainda mais a energia empregada. Isso sem falar no modo Quali, que permite que os pilotos usem 250kW de potência para conseguir a volta perfeita.

Evolução desde o início

Mas engana-se quem acha que a Fórmula E passou quatro anos sem aprimorar o Gen1. O primeiro carro utilizado na categoria também passou por diversas mudanças. 

Se em sua primeira temporada todas as equipes utilizavam o mesmo carro, na segunda, os construtores foram autorizados a fabricar componentes como motores, inversores, caixas de câmbio e suspensão traseira.

Na temporada 3, uma nova asa dianteira foi apresentada. Com ela, os carros teriam mais força para lidar com os percalços das corridas de rua. O sistema de regeneração de energia (regen) ficou 50% mais eficiente. Tudo isso com o peso total do carro reduzido em 8 quilos. Um grande avanço.

No ano seguinte, a bateria ficou ainda mais potente e ganhou 10kW de força. Mas o Gen2 já batia à porta e trouxe toda a sua inovação para as pistas. 

As mudanças começavam no visual, o design do Gen2 é bem mais agressivo e robusto, além disso, o halo foi incorporado ao carro por exigência da FIA. 

Além do que já foi mencionado aqui, o Modo Ataque também foi alterado para a sexta temporada. Mais 10kW de potência foram adicionados ao mecanismo, mas uma mudança na regra mexeu ainda mais com os cálculos de engenheiros e pilotos durante as provas: ao contrário da 5ª temporada, já não é mais permitido ativar a potência durante o Safety Car e Bandeira Amarela Total (na pista toda).

Outro fator importante é que o regen se tornou tão eficiente que toda vez que a corrida está sob intervenção do Safety Car ou da Bandeira Amarela Total, 1kW de energia é reduzido de cada carro, assim o gerenciamento de energia continua dando as cartas na competição.

Criar e melhorar

“Um programa de desenvolvimento de cinco anos no mundo real, com o objetivo de criar uma economia de eficiência de 10% com os motores, foi concluído em apenas um ano de competição na Fórmula E”.

É assim que Lucas di Grassi avalia a evolução da categoria em seu estágio inicial. Lucas é um dos primeiros integrantes do time da Fórmula E, ele está com a categoria desde sempre. 

Foi dele a ideia de montar o carro primeiro e só depois permitir que as equipes fizessem seus próprios ajustes: “O Gen1 tinha que usar a tecnologia que fosse capaz, pois ninguém havia produzido um carro elétrico como ele antes”.

“Ela era relativamente simples – bastante básico de fato – mas com espaço para as equipes fazerem melhorias e desenvolverem coisas. Assim que as restrições técnicas foram abertas (a partir da 2ª temporada), você viu melhorias imediatas de desempenho e eficiência”, relatou o brasileiro.

Di Grassi também afirma que o aprendizado foi fundamental para a chegada do Gen2: “As pessoas tinham aprendido as melhores práticas – o que era certo e o que não funcionava tão bem – então um avanço era possível. Ir de dois carros para um só foi uma enorme mudança e espero o mesmo, ou um passo ainda maior, para a Gen3 em alguns anos”.

A capacidade da bateria da Fórmula E – Foto: Reprodução/FórmulaE

O Gen3

A terceira geração de carros da Fórmula E deve estrear daqui a anos e a revolução tecnológica dos novos veículos será ainda maior, isso porque além de todos os itens de já conhecidos que afetam o desempenho, o Gen3 terá outro componente chave: a sustentabilidade.

Os construtores devem apresentar uma Avaliação Completa do Ciclo de Vida para o modelo proposto em que precisam conter o uso de materiais sustentáveis, a vida útil dos materiais de consumo, reciclagem, projeto de segunda vida para componentes usados, entre outras coisas.

Do asfalto para o asfalto

A Europa já possui cerca de 175 modelos de carros elétricos disponíveis. O número é seis vezes maior que em 2014. Isso mostra que a evolução tecnológica não restringe apenas à competição automobilística, mas que está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas.

Grande defensor do assunto, Lucas di Grassi afirma que “À medida que a tecnologia se desenvolve, os carros elétricos serão capazes de ir mais rápido e mais longe. O ritmo de desenvolvimento é incrível”.

“Carros elétricos são mais baratos, mais seguros e mais fáceis de operar do que os carros movidos a combustão não está longe de tudo e a Fórmula E está acelerando esse processo. A combustão não será capaz de acompanhar.

“O objetivo é criar um futuro melhor, mais limpo e seguro para a humanidade com inovação e tecnologia. Em geral, as pessoas naturalmente vão por conveniência e necessidade, bem como a melhor solução mais barata e melhor para elas. Então, precisamos criar uma tecnologia que preencha essa lacuna e sirva a esse propósito, então, a melhor opção será a mais sustentável – essa é a situação ganha-ganha a perseguir.”

 

Com informações de FIA Formula E

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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