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[EXCLUSIVO] Pascal Wehrlein: “minhas ambições pessoais são sempre muito altas”

Piloto da Tag Heuer Porsche conversou com o Boletim do Paddock sobre as expectativas com a nova equipe

Pascal Wehrlein teve uma breve passagem pela Fórmula 1, o alemão defendeu as equipes Manor e Sauber em 2016 e 2017, respectivamente. No ano seguinte, o piloto assumiu uma vaga na equipe Mahindra na Fórmula E e agora aceitou o desafio da Tag Heuer Porsche para disputar a temporada 2020/21 da categoria. 

O alemão falou com exclusividade ao Boletim do Paddock sobre como surgiu o convite para o novo time, o seu relacionamento com o futuro companheiro de equipe, André Lotterer, e o início dos trabalhos, além do que espera para o seu futuro.

Boletim do Paddock: Como a Tag Heuer Porsche Formula E Team se aproximou de você?

Pascal Wehrlein: O contato geralmente começa durante as viagens, você vê o pessoal nos aeroportos, e nas corridas também. Eu não moro longe da sede deles, então eu os via quase sempre no aeroporto, foi assim que começou. Você conversa, “como estão as coisas?”, é assim que começa. 

BP: E o quanto foi fácil ou difícil para você tomar a decisão de ir para a Porsche? O que você levou em consideração?

PW: Acho que acabou sendo uma decisão fácil para mim, eu tinha outras oportunidades, em outras equipes, mas minha prioridade para o meu futuro é ser bem sucedido. É isso o que eu quero ser e acho que meus objetivos e metas são os mesmos da Porsche então é por isso que este é um lugar muito bom para mim. O carro será competitivo no futuro, claro que a equipe ainda é nova na competição, mas eles estão aprendendo muito rápido e progredindo muito, então sim, eu tenho muitas esperanças de que juntos podemos alcançar coisas grandes.

BP: Como os primeiros dias de trabalho estão indo? O que mais te surpreendeu e do que você tem gostado mais?

PW: Estou gostando muito de estar em uma boa estrutura. A equipe, os engenheiros, o pessoal todo, eles são realmente inteligentes e muito bons. Eu estive no carro pela primeira vez e isso é o que eu gosto mais. Fiz meu primeiro teste há algumas semanas. Eu não pegava num carro desde março, fazia um bom tempo, e foi um grande dia para mim. E, obviamente, tem as coisas do dia a dia, os testes, você tem que melhorar sua pilotagem, você começa a melhorar o carro e especialmente com seu engenheiro você precisa se entender com ele. Tipo, ele precisa entender o que eu gosto do carro e vice-versa. 

No começo tem muita coisa para aprender, muitos nomes novos para mim (risos) porque a equipe é bem grande. Eu gosto muito disso e estou ansioso com a primeira corrida. Sinto que estamos dando bons passos juntos desde que comecei. Estou treinando no simulador na sede da equipe. Então está tudo indo bem até agora.

BP: Você e André Lotterer já se conheceram? Já conseguiram construir algum tipo de relacionamento?

PW: Bom, a gente já se conhecia porque corremos um contra o outro por um ano e meio, mas para ser sincero, nunca tive muito contato com ele. Era mais aquela coisa de “Oi, como vai?” e tal… Foi bom encontrá-lo no teste que aconteceu semanas atrás, nós dividimos o carro, então foi legal conhecê-lo um pouco melhor. Nós jantamos com toda a equipe.

Ele é muito rápido e experiente, tenho certeza de que posso aprender muito com ele, especialmente no começo, porque ele já está na equipe há um ano. Ele já conhece o time. E nosso objetivo é melhorar juntos e incentivar uns aos outros, assim seremos bem sucedidos juntos, como uma equipe.

Teste na Alemanha – Pascal Wehrlein e André Lotterer – Foto: TAG HEUER PORSCHE FE TEAM

BP: Interessante você falar isso porque essa seria a minha próxima pergunta: você pretende/planeja aprender alguma coisa com ele? O André é bem mais experiente que você, e você é um novato na equipe, não na competição, mas na equipe. O que você espera dele? Você vê o André como um tipo de mentor?

PW: Não exatamente como um mentor, porque eu sou jovem, mas já tenho certa experiência no automobilismo. Já corri no DTM, na Fórmula 1, já estou na Fórmula E há um ano e meio, então em termos de experiência, já tenho um bocado.

Definitivamente, você sabe que ele é um piloto muito bem sucedido. Já ganhou Le Mans, esteve no Japão, participou de corridas de Fórmula 1. Eu sei que ele tem muita experiência, mas eu não diria que eu não tenho o suficiente, então nós definitivamente seremos bons companheiros de equipe.

Sempre gostei de trabalhar com outros pilotos que não estão na mesma faixa de idade que eu, porque se você tem mais ou menos a mesma idade, a competição é sempre meio diferente. Não estou interessado em jogos políticos. Acho que seremos uma boa combinação, bons companheiros de equipe. A relação até agora é muito boa, estou animado com isso.

BP: Você agora está em uma equipe alemã que tem dois pilotos alemães. Como você se sente sobre isso? Como isso facilita as coisas?

PW: São menos viagens (risos). De manhã, às vezes, vou para Stuttgart e chego lá em menos de 2 horas para ver a equipe e à noite posso dirigir para casa novamente, então isso é ótimo para mim. E eu moro há cerca de uma hora, uma hora e meia de lá, então já sou próximo da equipe, já sigo a Porsche desde muito tempo.

Estou gostando também passar menos tempo no avião, porque antes, com a Mahindra, eu tinha que voar para Londres e depois pegar um carro alugado e assim por diante, então eu sempre gastava muito tempo em viagens. Mas claro, isso são apenas pequenos detalhes, mas é legal estar perto da equipe e faz com que você seja mais eficiente.

BP: Quem você acredita ser os principais rivais da Porsche?

PW: Essa é uma pergunta difícil… Vendo os anos anteriores, a Techeetah foi a equipe mais rápida, tanto entre os pilotos, como entre as construtoras. Eles serão competitivos de novo, definitivamente eles serão a equipe a se estar de olho. Mas também a competição na Fórmula E é muito, muito alta. Marcas como Mercedes, Audi, BMW, são todas ótimas. Incluindo a gente.

Como eu disse, tenho esperanças e expectativas altas, na minha equipe. Mas a Fórmula E é acirrada, e então pequenos detalhes vão fazer uma grande diferença.

BP: Qual o objetivo realista para a próxima temporada?

PW: Acho que o objetivo realista é tentar ganhar corridas, acho que esse é o próximo passo. Você sabe que ainda não ganhei corridas, minha melhor posição até agora foi o segundo lugar, o mesmo para a equipe. Nós dois fizemos pole position, então sim, vencer está definitivamente na nossa lista de tarefas para o próximo ano. Se você está lutando por vitórias e se você for consistente, então você também não está longe de lutar pelo campeonato. 

Minhas ambições pessoais são sempre muito altas, e sempre quero vencer, então gostaria de dizer que meu alvo é ganhar. É para isso que estou aqui. Vamos ver como vai ser. Claro que estamos ajustando o início do relacionamento, tenho muitas coisas para aprender. E, como eu disse, a equipe está começando, está indo para a sua segunda temporada ainda, muitas coisas para aprender e melhorar, mas tenho certeza que vamos chegar lá. 

Só digo que queremos ganhar, é por isso que estamos aqui.

Pascal Wehrlein da Fórmula E – Foto: TAG HEUER PORSCHE FE TEAM

BP: Como você mesmo disse, você ainda não venceu, mas você já pensou em como seria sua primeira vitória perfeita?

PW: Eu acho que qualquer primeira vitória é perfeita…

BP: Mas e a história da corrida? Você quer começar da pole e vencer ou você prefere, de repente, largar em 10º e ir subindo no grid?

PW: Eu honestamente não me importo, desde que eu ganhe a corrida, tá bom. Não faz diferença se comecei na pole ou na última posição (risos). Como eu disse, ganhar uma corrida na próxima temporada seria uma boa conquista e também um impulso para toda a equipe.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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