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EXCLUSIVO: entrevista Ian James, chefe da equipe Mercedes na Fórmula E

A entrevista exclusiva ocorreu em meio aos preparativos finais para as duas últimas corrida desta temporada

Ian James faz parte do grupo Mercedes (Daimler) desde 2011 e desde 2018 ficou incumbido de conduzir o projeto da marca na Fórmula E, a equipe que chegou à categoria na temporada passada como HWA, correu este ano com o próprio nome e coleciona erros e acertos. 

Antes da interrupção da temporada, a Mercedes havia conquistado 56 pontos. Trinta e oito deles eram de Stoffel Vandoorne, os melhores resultados da equipe até então haviam sido os dois terceiros lugares do belga na rodada dupla em Diriyah. Em Berlim, as duas primeiras corridas foram razoáveis se considerarmos o “padrão Mercedes”. Vandoorne conseguiu um 5º lugar na quarta e um 6º na quinta-feira. Já Nyck de Vries terminou a corrida de quarta em um ótimo quarto lugar, mas teve problemas com o carro na quinta e abandonou a prova. Situação que aliás proporcionou um grande momento para o os fãs, de Vries sozinho empurrou o próprio carro para uma área segura. Apesar da diversão tragicômica, a equipe foi multada em € 5.000 e o piloto perdeu 3 posições no grid de largada do sábado. 

Stoffel Vandoorne (BEL), Mercedes Benz EQ, Ian James, Team Principal, Mercedes-Benz EQ and Nyck De Vries (NLD), Mercedes Benz EQ

O desempenho da equipe foi o principal tópico da conversa exclusiva entre o Boletim do Paddock e Ian James. Falando especificamente sobre a rodada do fim de semana, em relação a Stoffel Vandoorne, James reconheceu os problemas do carro #5:

“Stoffel teve dificuldades para se classificar bem no Quali. Como sabemos, se você não anda bem o suficiente para ir para a super pole, você deixa a sua vida muito mais complicada. Apesar disso, nas duas primeiras corridas [em Berlim] ele aproveitou bem as oportunidades que teve para ganhar mais posições no grid e voltar a marcar pontos, o que é muito valioso. Mas precisamos entender com ele onde podemos melhorar nossa performance no Quali para maximizar as chances de marcar pontos”

Nyck de Vries apresentou melhora nos resultados de sábado para domingo. Apesar da punição recebida na corrida de quarta, assim afirmou James:

“A punição nos deixou em uma situação difícil, tivemos que batalhar por posições no meio do grid. No domingo o Quali foi melhor para nós e isso é fantástico! Mas entender a estratégia, o ‘lado gerencial’ e as lições aprendidas na corrida do dia anterior com Nyck e seus engenheiros nos fez ter as coisas sob controle novamente” 

A Mercedes chega às últimas etapas da temporada com 19 pontos atrás da BMW. O que fazer para chegar ao top 3? James diz que:

“Este é um ótimo questionamento. Estamos totalmente conscientes dos pontos que estão em jogo e por isso é absolutamente possível progredir para o top 3. Obviamente o primeiro lugar já era, infelizmente, mas de resto, tudo é matematicamente possível.  Já vimos corridas caóticas em Berlim, em que um dia tudo dá certo e no outro não e vice-versa. Estamos indo para mais duas corridas com um traçado diferente e isso nos será um novo desafio. Todas as equipes estarão se esforçando para terminar a temporada com o máximo que puderem. Seria errado dizer que entrar no top 3 não é nosso objetivo, mas estamos bem cientes das nossas ameaças” 

Um fato interessante obtido nesta entrevista: Ian James foi o primeiro chefe de equipe a assumir abertamente o cansaço de seu time durante o festival de Berlim. Enquanto outros tentam minimizar os efeitos da maratona nos integrantes de seus grupos. O líder da Mercedes disse que o cansaço existe, mas que todos continuam motivados para o desafio:

“Sempre soubemos que Berlim seria difícil para nós, é justo dizer que é um desafio brutal, mas como equipe precisamos estar cientes de que temos que aproveitar cada folga entre as corridas para descansar e acho que estamos fazendo isso bem. Sim, claro que a equipe está cansada, mas no fim do dia acho que todo estamos bem o suficiente para dar o melhor que temos para as duas últimas provas” 

Faltando duas corridas para o fim do ano de estreia da equipe na Fórmula E, James fez uma avaliação geral do desempenho da Mercedes: 

“No começo da temporada, eu disse que seria muito difícil estabelecer uma posição para chegarmos sem um parâmetro comparativo concreto e mantenho essa opinião, por mais que ela demonstre que estou saindo pela tangente. Dito isto, a Mercedes sempre se desafia a estar entre as melhores e embora tenhamos tido muitos momentos positivos, também cometemos alguns erros que nos custaram um bocado em termos de pontos e nunca podemos nos dar por satisfeitos com isso. Então acho que no geral é um misto de satisfação com os bons resultados e com a busca de uma base sólida, na perspectiva de engenharia e de operações, que podemos construir a partir de agora. Mas ao mesmo tempo, estamos frustrados com os erros que cometemos. Precisamos ter certeza de que aprendemos com eles e não repeti-los”

Stoffel Vandoorne, Iam James  e Nyck De Vries – Foto: Daimler

O Boletim do Paddock tentou extrair informações sobre os pilotos que estarão nos carros pretos (ou prata) ano que vem. Contudo, James não caiu na nossa armadilha:

“Posso falar sobre os pilotos deste ano e com o quanto estamos satisfeitos com a performance de Stoffel e Nyck este ano. Especialmente com Nyck, pois ele é um novato que aprende rápido. Os dois contribuíram bastante com o programa de desenvolvimento que estabelecemos e é isso o que esperamos dos pilotos, que não sejam somente bons de pista, mas também que consigam estar junto com a equipe ajudando no desenvolvimento e, essencialmente, os dois são muito bons nisso”

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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