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Dia das Mulheres: a construção do que sou

No dia da Mulher, Deborah Almeida fala sobre seu início no automobilismo e como as coisas se desenvolveram na sua história

A minha time line parece um pouco confusa, principalmente quando eu penso que eu comecei literalmente por cima, pelo mais difícil. Eu era uma garota que estava na faculdade de Design Gráfico, pensando em trabalhar na indústria automobilística, mas escrevendo para o Boletim do Paddock. Naquela época eu não sabia se daria certo, ou o que estava por vir, mas algumas escolhas foram me levando para um caminho que eu nunca desejei fugir. Na verdade, eu me agarrei a ele com mais força.

Minha primeira oportunidade foi conquistar uma credencial para o GP do Brasil, em 2014 eu estava na arquibancada, em 2015 eu estava lá dentro ao lado de vários jornalistas incríveis, vendo os carros e pilotos de perto. Não tinha experiência, mas aquela foi a minha chance, não sabia muito bem o que fazer, mas eu tinha que ir. E que bom que eu me arrisquei, aquela foi a primeira barreira que foi quebrada. Naquela época eu acreditei em um sonho, levei ao pé da letra: por que não tentar? O não eu já tinha mesmo!

A Fórmula 1 sempre foi meu objetivo principal, foi por ela que eu me interessei, foi aquilo que me deu um estalo, mas porque não desbravar outras coisas? Um novo desafio é sempre bom! Eu tive uma jornada de aprendizado tão intensa com os campeonatos nacionais, participando principalmente da Stock Car.

Falando em Stock Car, a minha primeira vez foi em uma corrida em Curitiba 2017. Lá eu tive uma aproximação maior com jornalistas, o pessoal do automobilismo e aí você percebe que muita gente transita por várias categorias, porque estamos realmente lidando com um esporte de nicho. É nesse instante que a gente se sente mais confortável, principalmente quando acontece um “eu me lembro de você”.

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Foi nos campeonatos nacionais que eu aprendi a ser jornalista, fazer entrevistas, observar, dar chance para aprender. Naquela primeira Stock Car em Curitiba eu já estava com uma câmera, com a vontade de registrar as coisas e percebi que alguns cliques meus eram realmente bons.

Em 2019 eu deixei de fazer fotos literárias – que foi um primeiro passo para aprender sobre a fotografia – para me aprofundar mais e ir para autódromos, este ambiente foi um ótimo laboratório, conhecer mais de perto ainda a Stock Car, Copa Truck e Porsche Cup. Ao olhar atento da fotógrafa que me tornei, passei a observar a forma que alguns pilotos guiam seus carros, se posicional na pista, como eles entram na curva, como eles lidam com alguns momentos.

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Estive na pista em dois momentos, como jornalista e como fotógrafa e os dois me enriqueceram demais. Minha percepção do ambiente mudou completamente, a leitura que a gente faz dos olhares e gestos são tão importantes, afinal um autódromo é um lugar com muito barulho e nem sempre de fácil entendimento para as palavras.

O automobilismo me colocou de frente com a faculdade de jornalismo, foi só em 2015, depois daquela F1 que eu entendi que eu precisava de uma faculdade para construir uma base sólida. Mas foram as pistas que me trouxeram experiência. Seja dando um passo grande como a F1, mas também dando a oportunidade para entender que o automobilismo é algo que vai muito mais além.

Escrever já era incrível, mas criar o podcast foi libertador. O Bruno Shinosaki me chamou para fazer o Boletim do Grid, me ajudando com as edições do meu primeiro podcast para falar sobre as minhas opiniões sobre o automobilismo. A oportunidade foi excelente, no automobilismo o número de mulheres estava em crescimento, assim como na podosfera. Oportunidade é algo necessária para todas nós. Hoje me orgulho muito de fazer as lives no BP e perceber que cada vez mais as mulheres estão com a gente, seja dando os seus comentários na transmissão, ou nos comentários dos chats.

E depois de ser jornalista, fotógrafa, podcaster, produtora e agora Youtuber, a gente percebe que a origem – o jornalismo – é algo mais complexo, é realmente uma colcha de retalhos unidos com muita coisa que a gente aprendeu, sendo está a linha da costura que os unes para formar o que nós somos agora e qual será o próximo desafio?

Independente de qual seja ele, o desafio diário a gente já vive, a busca pelo espaço e reconhecimento, além de novas oportunidades. Todos os dias colocar a nossa opinião no mundo seja por texto, vídeo ou foto, é a quebra de uma barreira, mas também mais uma conquista e o apoio para tentas outras mulheres, ou pessoas que se inspiram em nós.

Como jornalista admiro muito a Mariana Becker, como pilota a Janet Guthrie, como sinônimo de força Virginia Williams, como administradora Susie Wolff, como fotografa a Mariana Coelho e Fernanda Freixosa, como guerreira sem dúvidas a minha mãe, mas todas elas são a soma de outras mulheres que acreditaram nos seus sonhos e mudaram o ambiente que estavam/estão.

LEIA MAIS: RESENHA: Williams: A Different Kind of Life

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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