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Crônicas de Baku

  Mais uma vez, nada como um ano após o outro. Se em 2016 a corrida nas ruas de Baku foi recheada de críticas e reclamações, o GP do Azerbaijão de 2017 foi uma das melhores provas das últimas temporadas. 2 horas, 3 minutos e 55 eletrizantes segundos de pura imprevisibilidade, em meio à dilemas políticos, redenções e protagonistas totalmente inesperados.  

Fonte: AutoRacing

  Se o pelotão não foi misturado no sábado, as primeiras curvas de domingo resolveram essa questão. Antes mesmo de saírem do primeiro setor, Kimi e Bottas misturaram tinta na briga pela 2ª posição, a Ferrari sofreu danos na asa dianteira enquanto a Mercedes caiu para último, uma volta atrás dos líderes, devido a um furo de pneu e danos na asa. Além disso, Sainz ficou ao contrário, Perez pulou para terceiro, Massa para 6º e Stroll para 7º. Poucas voltas depois foi a vez de Kvyat abandonar a prova e mudar a história do GP. O abandono do russo causou um longo período atrás do carro de segurança. Pouco antes da relargada, Vettel e Hamilton se tocaram, duas vezes. Independente de culpa ou justiça, uma nova corrida se abriu após esse contato, proporcionando histórias de redenção para diversos personagens diferentes.

| Daniel Ricciardo 

Fonte: Blog F Silva

  Mesmo com uma sequência de três pódios, o final de semana do australiano em Baku foi comprometido ainda no sábado, quando um acidente tirou suas chances de brigar por posições no Q3, sendo forçado a largar em 10º. Não satisfeito, Daniel teve que parar nas primeiras voltas do GP após coletar sujeira nos dutos de freio, e consequentemente estar lidando com superaquecimento. O que parecia se encaminhar para uma etapa desperdiçada começou a mudar de figura poucas voltas depois. A parada prematura posicionou Ricciardo no final do pelotão, e enquanto a ponta se envolvia nos mais diversos duelos e incidentes, o piloto da Red Bull simplesmente mantinha um ritmo constante na busca pela sua recuperação na prova. 12 voltas, uma bandeira vermelha e duas Force Indias se tocando depois, Daniel estava de volta na briga pelo pódio e já na relargada mergulhou para uma ultrapassagem dupla nas Williams, assumindo a 3ª posição. Logo o segundo colocado, Vettel, foi punido e o primeiro, Hamilton, foi obrigado a recolocar seu protetor de cabeças em uma parada não programada nos boxes. Com apenas 20 voltas restantes, o australiano assumiu a ponta, precisando apenas manter a calma e o ritmo de prova para vencer pela primeira vez desde o GP da Malásia de 2016. Dito e feito, Ricciardo seguiu forte na liderança e não foi ameaçado até a bandeirada final. Na volta de desaceleração, o australiano parecia não acreditar no que tinha acontecido nas ruas de Baku, não contendo a felicidade e as risadas até levantar o troféu.

| Valtteri Bottas

Fonte: F1 Fanatic

Contestado e considerado apenas um escudeiro de Hamilton, Bottas chegou ao Azerbaijão 36 pontos atrás de seu companheiro de equipe. A 2ª posição no sábado parecia apontar para um domingo tranquilo para o finlandês, mas Bottas voltou a colidir com seu compatriota e antiga pedra no sapato, Kimi Raikkonen, ainda nas primeiras curvas. O acidente colocou o finlandês em último, uma volta atrás dos líderes e com a corrida totalmente comprometida. Entretanto, Valtteri se concentrou e partiu para a contenção de danos. Lucrou com algumas entradas do carro de segurança e uma bandeira vermelha para recuperar o tempo perdido e voltar para a briga. Uma vez no final do pelotão, Bottas foi pouco a pouco fatiando seus adversários, escalando o pelotão de forma arrasadora. Após pular Hamilton e Vettel na volta 34, o finlandês tinha apenas Magnussen e Ocon entre ele e um degrau no pódio, superando ambos com 11 voltas de sobra, isso o permitiu focar em Lance Stroll, mas apenas uma pilotagem perfeita permitiria uma batalha pela 2ª posição. Poucos metros antes da bandeirada, Bottas finalmente alcançou Stroll, superando o canadense e vibrando efusivamente no rádio, algo incomum haja vista seu espírito frio e reservado. No pódio, só sorrisos para Valtteri, que respirava aliviado após mostrar o braço que tem.

| Stroll e Williams

Fonte: 1310 News

O início de temporada vinha sendo um verdadeiro inferno astral para Stroll e a Williams. O canadense era duramente criticado devido aos incidentes de pré-temporada e a falta de resultados quando comparado ao seu experiente companheiro de equipe, Felipe Massa. Já a Williams seguia levando a pior na briga no pelotão intermediário entre os construtores, ora por problemas mecânicos ou erros de seus pilotos, ora por verdadeira falta de sorte, sendo coletada nos incidentes de outros pilotos. Em um circuito que enaltece as qualidades do bólido da equipe, a Williams conseguiu evitar a avalanche de intercorrências e se via diante de uma possível dobradinha após a bandeira vermelha. Entretanto, a falta de sorte voltou a atingir os ingleses e Felipe Massa, forte candidato a vitória, foi forçado a abandonar logo após a relargada. Mesmo assim, o outro carro da equipe ainda estava na prova, e muito bem posicionado. Lance Stroll calou os críticos e detratores, manteve a calma e escapou de todos os muros de Baku, conquistando um pódio surpreendente e se tornado o novato mais jovem a atingir tal façanha na categoria. 

| Fernando Alonso

Fonte: F1 Fanatic

Não importa o carro, a temporada ou a pista, o espanhol ainda encontra maneira de tirar leite de pedra na Fórmula 1. Alonso estava vivendo um de seus anos mais frustrantes na categoria, brigando com o motor Honda para ao menos terminar as corridas. Chegando em Baku, um circuito majoritariamente composto por retas, as perspectivas de sucesso da McLaren diminuíram cada vez mais. Entretanto, a sorte parecia estar do lado dos ingleses no domingo, Alonso capitalizou nas confusões na ponta e chegou a estar em 5º na segunda metade do GP. Fernando caiu para 9º, suficiente para marcar os primeiros pontos da McLaren no ano e tirar um peso gigante das costas. Os dois pontos somados não foram suficientes para superar a Sauber, mas sem dúvidas serviram como uma tremenda injeção de ânimo em meio a profusão de más notícias em que a equipe estava mergulhada. 

A Fórmula 1 embarca para a Áustria em um dos momentos mais dramáticos da temporada, além de viver o ápice da briga entre Vettel e Hamilton até então. Após uma corrida verdadeiramente espetacular em Baku, podemos apenas esperar pelo segundo capítulo dos duelos e intrigas da 8ª etapa do ano, enquanto a temporada começa a tomar contornos dramáticos.

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Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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