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“Bizarro” e “facilmente evitável”, é assim que os vencedores de hoje classificam o acidente do TL1 de Roma

Na entrevista pós-corrida, os primeiros colocados deste sábado falaram suas opiniões sobre o acontecimento do TL1

Jean-Eric Vergne, Sam Bird e Mitch Evans participaram da entrevista coletiva pós-corrida deste sábado. Entre os assuntos abordados esteve o acidente do final do TL1 que envolveu Jake Dennis, Oliver Turvey e o próprio Vergne.

Quando perguntado se a prática de largada deveria mudar por causa do acidente de hoje, Bird respondeu: “Nós sabemos que no fim do treino livre sempre existe a possibilidade de os pilotos treinarem a largada. O lugar é divulgado para todos e normalmente todo mundo concorda com isso. Então não tenho certeza do que aconteceu hoje. 

“Se eu tivesse que mudar alguma coisa, seria o lugar da largada. Eu colocaria o lugar da largada entre as curvas 14 e 15, é a minha opinião. Acho que dá melhores oportunidades de todos nós largarmos bem. Onde está agora é bem mais fácil de juntar todo mundo e provocar acidentes desnecessários. 

“O que aconteceu no TL hoje foi bizarro, mas mesmo assim, eu mudaria a largada para uma curva mais veloz. Do jeito que está é estranho”, completou o piloto da Jaguar.

Treino Livre 1 – E-Prix de Roma

Acidente no final do treino, entre Jake Dennis, Oliver Turvey e Jean-Éric Vergne, no final do treino.

Sendo mais incisivo que Bird, Vergne afirmou que: “Há dois pontos diferentes nessa história. O primeiro é o lugar de largada. Me lembro que em Berna (Suíça, temporada 5) nós sabíamos que teria uma batida e eu sei que amanhã terá uma batida se nós não largarmos atrás do Safety Car. 

“É inevitável. São 24 carros em uma curva que não tem seis ou sete metros de largura. É quase como o kart. Você não pode nos pedir para fazer uma corrida limpa para os fãs porque é impossível com essa curva. 

“Mas falando do acidente, não sei o que dizer, o que pensar. Treinamos a largada no fim do TL1 basicamente desde que a Fórmula E existe e o Oliver Turvey está no campeonato faz um bom tempo, então você tem que perguntar o que aconteceu pra ele. Eu não sei” concluiu o francês.

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Já Mitch Evans se mostrou um pouco mais compreensivo: “Acho que [o acidente] foi um grande azar. O lugar de treino da largada é algumas curvas depois da linha de chegada. Eu entendo totalmente como as coisas aconteceram, a gente sempre tenta algumas coisas para conseguir mais informações [para a equipe, por isso a prática de largada existe].

“Acho que houve um mal-entendido. Obviamente esqueceram que a prática de largada seria ali porque normalmente acontece logo naquela volta e você consegue ver que tem carros ali. 

“Claro que foi um horror ver aquilo, fiquei feliz por saber que ninguém se feriu porque foi um acidente bem feio. Obviamente foi algo facilmente evitável, mas entendo como aconteceu e acho que não vai acontecer de novo”, encerrou Evans. 

Vergne ainda falou sobre ter sido “beneficiado” com o Safety Car no fim da prova, fato que o tirou do pódio da última corrida na Arábia Saudita: “em Diriyah não tive tempo de ativar o segundo Modo Ataque, dessa vez me precavi para não acontecer de novo. 

“Você pode cometer o erro uma vez, mesmo não sendo um erro seu, mas duas vezes não”, disse Vergne.

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Sam Bird (Jaguar Racing), Jean-Eric Vergne (DS Techeetah) e Mitch Evans (Jaguar Racing) na coletiva de imprensa

Os pilotos também compararam o novo de Roma com o antigo utilizado nas duas edições anteriores.

Evans revelou que achou o traçado desse ano melhor: “Nos deu mais possibilidades de ultrapassagem. Sam e eu começamos no meio do grid e terminamos entre os primeiros. Acho que algumas condições também ajudaram. Tipo, as manobras que você faz, onde você faz.

“E o segundo setor não estava totalmente seco. Vale a pena ver como vai ser quando a pista estiver seca

“Mas esse circuito te mantém mais alerta comparado com o outro. O setor mais rápido é entre as curvas 4 e 7, honestamente, exige bastante, especialmente com o uso de muita energia. 

“Hoje não estivemos 100% com o pé embaixo, então você anda na ponta dos pés mais que em qualquer outro layout. Mas acho que somos muito sortudos porque tem muitos níveis de elevação, e isso ajudou a produzir uma grande corrida hoje”, disse Evans.

Vergne disse apenas que gosta muito dos dois traçados. Bird afirmou que também gostou muito do novo layout, embora tenha achado mais difícil de ultrapassar. “Você tem que lutar por isso”, disse ele.

“No traçado antigo tinha uma área mais larga que dava uma grande oportunidade de ultrapassagem, mas agora há mais oportunidades menores. É difícil, mas dá pra lidar com isso. É um circuito legal, divertido de guiar, especialmente com muita energia”, finalizou o britânico da Jaguar. 

Sobre a largada com Safety Car, Sam Bird afirmou que “era a única decisão lógica, considerando as condições do tempo, nós precisávamos daquelas voltas para nos adaptar porque a pista estava muito, muito escorregadia”. 

Vergne concordou com o ex-companheiro de equipe e disse que ficou feliz com a decisão da direção de prova e acredita que eles deveriam fazer o mesmo amanhã independente da pista estar molhada ou não por causa da grande possibilidade de acidentes na largada. 

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

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