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15 de Junho de 1993, a Morte de uma Lenda do Automobilismo – Dia 25 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo

O ano era 1993. Longe das pistas desde 1979, James Hunt vivia agora uma vida relativamente pacata quando comparada às suas loucuras dos tempos de piloto. Após se mudar para a pequena cidade de Wimbledon, o inglês aproveitava uma aclamada carreira de comentarista na BBC e um relacionamento de 5 anos com Helen Dyson, além de uma rotina mais calma e saudável. Todavia, este mesmo ano traria notícias devastadoras para os fãs de Fórmula 1. Poucas horas depois de pedir Helen em casamento, James Hunt foi acometido por um ataque cardíaco enquanto dormia, deixando o mundo do automobilismo em estado de choque e luto ainda nas primeiras horas do dia 15 de Junho.

É impressionante notar o tamanho do impacto que James Hunt teve na Fórmula 1 em um espaço tão curto de tempo. Enquanto grandes pilotos como Rubens Barrichello e Ricardo Patrese beiraram as 20 temporadas, o inglês estreou em 1973 e se aposentou no meio de 1979, 5 anos e meio de uma carreira meteórica e extremamente bem sucedida, protagonizando rivalidades icônicas, estabelecendo marcas históricas, ganhando títulos e escrevendo seu nome no hall de grandes pilotos no processo. Em seus anos nas categorias de base, Hunt ainda tentava aprender a controlar seu temperamento explosivo e ficar na pista ao mesmo tempo, receita que não funcionou como esperado nas primeiras temporadas, mas logo mostrou sinais de que poderia resultar em uma carreira promissora no auge do automobilismo mundial.

Fonte: portalrace.com.br

James entrou pela porta dos fundos na Fórmula 1, estreando pela recém-criada Hesketh, uma equipe com o objetivo único de esbanjar fortuna e tentar ter o máximo de diversão possível nos finais de semana de corrida. Naturalmente a Hesketh, e consequentemente Hunt, não eram levados à serio em seus primeiros passos na categoria. A combinação de um time extravagante e um piloto explosivo não atraía os melhores olhos no paddock, contudo, pódios na Holanda e nos Estados Unidos em sua primeira temporada provaram que embora fora dos padrões tradicionais, James tinha muito mais braço que boa parte do pelotão, inclusive recebendo o prêmio de melhor britânico de 1973. Mais três pódios no ano seguinte reafirmaram o talento do jovem piloto e prepararam o terreno para uma temporada ainda melhor em 1975. Após bater na trave diversas vezes, Hunt enfim conquistou sua primeira vitória na categoria, no GP da Holanda. Além disso, pontuou em todas as corridas que viu a bandeirada final, levando a modesta Hesketh para a 4ª posição nos construtores. Entretanto, a fortuna que servia de base para a equipe estava chegando ao fim em 75, inviabilizando a manutenção da Hesketh na categoria e deixando Hunt desempregado. Perto de desistir de encontrar uma vaga no grid, a carreira do inglês foi ressuscitada com a saída de Fittipaldi da McLaren, à caminho da Copersucar. Hunt assinou com a equipe inglesa e palco estava montado para uma das temporadas mais clássicas da história da Fórmula 1.

Fonte: autoportal.iol.pt

Em 16 corridas, 1976 proporcionou uma batalha memorável entre duas forças totalmente opostas. O clássico duelo entre Ferrari e McLaren ganhava mais um capítulo, de um lado um piloto frio, calculista e conhecedor de cada aspecto aerodinâmico do seu bólido, do outro um piloto passional, explosivo e totalmente fora dos padrões formais e polidos da categoria. Lauda e Hunt protagonizaram uma briga intensa pelo título, recheada de intrigas dentro e fora da pista, acidentes seríssimos e muitos duelos roda com roda por vitórias. Apenas o GP da Itália não teve um dos dois subindo ao pódio, provando o domínio completo dos dois. Evidentemente, o título foi decidido na última prova do ano, na qual Hunt sagrou-se campeão por apenas um ponto, sendo o primeiro britânico a conquistar um título mundial pela McLaren. Pilotos e personalidades antagônicas, James e Niki tornaram-se rivais ferrenhos dentro da pista e grandes amigos fora dela. As intrigas e batalhas de 76 foram tão intensas que inclusive ganharam seu lugar no cinema com o lançamento do filme “Rush” em 2013. Após duas temporadas modestas, o inglês se aposentou no meio 1979 enquanto era piloto da Wolf, passando a assumir a função de comentarista ao lado de Murray Walker na BBC. Mesmo em sua nova posição, Hunt não ocultou suas opiniões e personalidade forte, novamente servindo de contraste para a educação e formalidade de Walker.

O carisma e o estilo de vida do inglês viraram o Paddock de cabeça para baixo. Considerado por muitos como o último piloto romântico da categoria, Hunt não abdicou do seu estilo de vida para atender à pompa e formalidade da Fórmula 1, conquistando muitos fãs pela sua personalidade extrovertida e genuína. Mesmo com uma carreira curta, James será para sempre lembrado com carinho pelo mundo do automobilismo. 

Fonte: bbc.uk
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Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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