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A Fórmula 1 (re) estreou na Band, e aí?

Os prós, os contras e o que vem pela frente na mudança que mexeu o mundo da Fórmula 1 no Brasil

A Fórmula 1 voltou à tela da Band neste fim de semana. Depois de 40 anos, a emissora resolveu apostar novamente na categoria para se consolidar como o canal do esporte. 

Para isso preparou uma estreia “como nunca antes havia sido vista no Brasil”. Desde a confirmação da equipe de transmissão, o canal investiu pesado na divulgação da nova aquisição. A F1 foi levada a, basicamente, todos os programas da emissora. 

Também pudera, a Band tem contrato de dois anos com a F1 e precisa mostrar que o novo acordo vale a pena para o público, para a F1 e para ela mesma.

A aposta alta conta ainda com as categorias de base, F2 e F3 também fazem parte do pacote. 

Mas como foi a (re) estreia da Fórmula 1 na Band?

O maior acerto da Band foi pegar toda a equipe de transmissão da Globo. Profissionais experientes, entrosados, com conhecimento e vivência na categoria que queriam continuar com os trabalhos e possuíam ainda um grande trunfo: sabiam exatamente onde a Globo pecava… 

Então não há muito o que dizer sobre a equipe de transmissão. O trio formado por Sérgio Maurício, Reginaldo Leme e Felipe Giaffone entregou um resultado bem dentro do esperado para quem já acompanhava a categoria. 

Como melhora visível de todos, posso apontar o respeito aos rádios dos pilotos. Quantas repetidas vezes não conseguimos entender nada do que era dito pelo narrador ou comentarista porque eles falavam por cima dos rádios e ficava uma salada incompreensível de sons? 

Mariana Becker é um caso à parte, o trabalho excepcional da jornalista agora tem ainda mais destaque porque ela é atendida mais rapidamente quando pede para entrar na transmissão. O famoso “Serginho?”, “Diga, Mariana” está bem mais ágil agora.

O ponto negativo neste fim de semana foram as incontáveis alfinetadas na Globo. O “isso a Band mostra” dito inúmeras vezes pelo narrador mostrou um comportamento meio infantil, típico de quem levou um fora e não superou o ex. Torço honestamente para que o “bordão” seja eliminado da transmissão. Alguém precisa dizer “Para, tá feio”. Se tiver que ser eu, que seja.

E é complicado dizer que mostra alguma quando existem pessoas que não veem seu canal porque o alcance do sinal não chega até elas, não é mesmo? 

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Saindo da equipe e indo para o canal, não dá para não avaliar bem a Band pelo trabalho feito. A emissora colocou a Fórmula 1 em toda a sua programação mostrando o quanto a nova aquisição é importante e merecedora da atenção de todos. 

Como “momentos questionáveis” temos o uso da mesma trilha sonora utilizada na Indy e a participação de Edu Guedes durante um dos treinos livres. O chefe de cozinha apresentava seu programa Band quando participou brevemente da transmissão do BandSports. 

Não tenho certeza se foi apenas porque o piloto e comentarista Max Wilson era o convidado do programa de Guedes ou se isso será uma prática comum do canal para a divulgação da categoria. Quem acompanha a Indy sabe bem a que me refiro.

Um super especial com três horas de duração antes da corrida no domingo uma grata homenagem à categoria… para quem conseguiu ver. A exibição nacional do programa só começou mesmo às 10h30, embora o público de algumas localidades tenha visto tudo desde às 9h. As presenças do tricampeão Nelson Piquet e do filho, Nelsinho, ajudaram a incrementar o momento. 

A ida da Fórmula 1 para a Band foi questionada por muitos desde o anúncio da mudança, mas o trabalho apresentado merece ser bem elogiado, houve muito mais acertos do que erros. A emissora mostrou com clareza o quanto a Fórmula 1 era mal aproveitada no antigo canal. 

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Nos últimos tempos, a Globo não mostrava nem mesmo a vinheta de abertura da Fórmula 1. A transmissão da corrida passou a ser iniciada com a volta de abertura praticamente em curso e acabava quase que junto com a bandeira quadriculada, quem quisesse ver pódio que fosse para a internet. Isso sem falar no narrador pouco familiarizado com a categoria.

É bem provável que a exigência de exibir o quali em rede aberta tenha sido uma demanda do Liberty Media. Talvez até uma condição para tirar o produto do maior grupo de mídia do país e levar para um menor. Diante da insatisfação com o tratamento dado à F1 nos últimos tempos, o novo acordo de transmissão, feito por Stefano Domenicali, não poderia exigir menos que uma transmissão completa da corrida.

Durante todos os momentos em que se falou de F1 na Band foi possível ver a felicidade da equipe com o trabalho desenvolvido no novo canal. A própria Glenda Koslowski revelou ao vivo que estava maravilhada com tudo o que estava acontecendo. O brilho nos olhos dela era visível. 

Bom para eles e para nós, o público.

Em termos de audiência, a estreia não poderia ter sido melhor. Os números do canal quadruplicaram durante o pico neste domingo.

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Audiência que, inclusive, foi a grande justificativa da Globo para diminuir o tempo da F1 em sua tela nos últimos anos. Os números da categoria não chegavam ao exigido pelo “padrão Globo”, segundo eles, o pódio derrubava o ibope do Esporte Espetacular, por exemplo. 

Com um alcance menor, a Band também tem audiência bem menor. Isso significa que qualquer crescimento é gigante. Pense que quem tem 10 e sobe para 11, cresce 0.90%, mas quem tem 1 e alcança 2, tem um ganho de 100% sobre o que tinha antes.

No caso da Band que subiu de 1.5 para 6.6 são 400% de crescimento. Claro que o público tende a ser maior nas estreias, pois as pessoas estão curiosas pela novidade. 

Outro ponto que deve ser levado em consideração é que a área de cobertura da Band é limitada, o sinal da emissora não cobre nem mesmo todo o estado de São Paulo. 

Não foram poucos os relatos de pessoas que deixaram de assistir às transmissões simplesmente porque o sinal da TV não chegou até elas. E até chegou, mas a programação local exibiu programas diferentes – como no caso da pré-corrida de três horas em que muita gente teve que ver desenho animado e anúncio de carros antes da transmissão nacional começar de fato.

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Menos alcance significa cotas de patrocínio menores. Por enquanto apenas a Claro entrou no projeto F1, mas agora que a emissora apresentou o nível de qualidade do seu novo produto, fica menos difícil conseguir novos parceiros. 

Isso porque as cifras da Fórmula 1 são sempre estratosféricas e a Band ainda vai dividir o valor total com o Grupo Liberty. Então, a menos que eles sigam a escola Zak Brown de fechar várias parcerias pequenas, é bem provável que ela não consiga ficar com essa categoria depois de dois anos.

A conta precisa fechar.

Agora é manter o ritmo. A Band precisa mostrar que está à altura do novo desafio. A Fórmula 1 é um produto caro demais para não compensar o investimento.

O trabalho da Band é mostrar que a F1 é pequena para a Globo, mas não é grande demais para si mesma. A equipe tem nas mãos o desafio de provar que o canal é sim o do esporte e, mais ainda, o da Fórmula 1.

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Cinthia Venâncio

Cearense que acompanha Fórmula 1 desde que se entende por gente. Faz aniversário no mesmo dia do Damon Hill.

Um Comentário

  1. Oi Cinthia! Não consegui assistir a transmissão pela Band, mas fiquei com o áudio da BandNews FM de São Paulo, como sempre faço. No rádio, senti falta da Julianne Cerasoli no rádio. Sobre a Band alfinetar demais a Globo como você mencionou, acho que foi mais para “demarcar território”, mas também para aproveitar uma onda anti-globo de alguns. Espero, também, que isso pare. A Band também depende do resultado da pista, ou seja, se tivermos uma temporada movimentada, eventualmente com um novo campeão do mundo, será muito bom se a emissora souber explorar isso. Parabéns pelo texto!

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