Fórmula 1

A Evolução da Force India

A briga franca entre Mercedes e Ferrari pelo título mundial é indiscutivelmente o tema mais comentado no circo da Fórmula 1 nessa temporada. Todavia, o incrível sucesso alcançado pela Force India, mesmo com um orçamento modesto e diversos problema extra-pista, também merece destaque.

Adrian Sutil (GER) Force India F1 VJM01. Malaysian Grand Prix, Rd 2, Qualifying Day, Sepang, Malaysia, Saturday 22 March 2008. Fonte: F1fanatic.co.uk

Pouco se esperava de uma equipe que vinha dos cacos da modesta Spyker, e de fato, a primeira temporada dos indianos na categoria foi extremamente complicada. Adrian Sutil e Giancarlo Fisichella lutavam para manter o carro na pista e o chassis atualizado da Spyker definitivamente não os ajudava. Com uma grande mudança de regulamento no horizonte, o foco do time se voltou para 2009 no começo do 2º semestre, fazendo com que a equipe saísse zerada de 2008.

Entretanto, essa temporada frustrante logo seria vista como um ponto fora da curva. Desde 2009, a Force India é uma das equipes mais constantes da Fórmula 1, contando com uma das curvas de evolução mais acentuadas do grid. Enquanto McLaren, Williams e Lotus enfrentavam altos e baixos, os indianos mantinham sua evolução contínua em busca dos ponteiros. Esse sucesso atraiu cada vez mais patrocinadores, tornando o custo-benefício de investir no time baseado em Silverstone cada vez maior. 

Fonte: F1fanatic.co.uk

Mesmo com uma temporada de estréia decepcionante, a equipe começou mostrar sinais de um futuro promissor já no ano seguinte. A mudança de motores Ferrari para Mercedes, o primeiro chassis 100% da casa e a mudança de regulamento proporcionaram uma tempestade perfeita para o sucesso dos indianos em 2009. Além disso, manter a dupla de pilotos, que contava com Adrian Sutil e Giancarlo Fisichella, provou-se crucial, mostrando pela primeira vez a filosofia de evitar pay-drivers em seus cockpits. Já em sua 30ª corrida na categoria, a Force India garantiu sua primeira pole e seu primeiro pódio, graças a pilotagem magistral de Fisichella em Spa. Na etapa seguinte, foi a vez de Sutil garantir um ótimo resultado, largando em 2º e terminando a prova na 4ª posição em Monza. Essa sucessão de triunfos serviu para afastar o rótulo de nanica e cimentar sua posição no meio do pelotão, além de criar a famosa máxima que a “Force India é boa de reta”.

Nico Hulkenberg (GER) Sahara Force India F1 VJM05. Korean Grand Prix, Saturday 13th October 2012. Yeongam, South Korea. Fonte: Lowdownblog.files.wordpress.com

A boa fase se manteve nos anos seguintes, tornando-se presença constante nos pontos entre 2010 e 2013, mesmo com a saída de peças importante no final de 2010, como James Key. Nesse período, a equipe flutuou entre 6ª e 7ª no campeonato de construtores, prezando pela constância para escalar o pelotão, haja vista que os indianos deixaram de pontuar em apenas 4 etapas na temporada de 2012. Além disso, apenas quatro pilotos foram utilizados nesse intervalo de tempo, Adrian Sutil, Vitantonio Luizzi, Paul di Resta e Nico Hulkenberg, atestando a continuidade do trabalho em todas as frentes de atuação da equipe.

Third placed Sergio Perez (MEX) Sahara Force India F1 VJM07 celebrates as he passes his team. Bahrain Grand Prix, Sunday 6th April 2014. Sakhir, Bahrain. Fonte: F1fanatic.co.uk

O retorno dos V6-turbo em 2014 iniciou uma nova era não só na categoria como também para a Force India. A equipe renovou completamente a dupla de pilotos, recontratando Nico Hulkenberg e trazendo Sérgio Pérez como seu companheiro de equipe. A dupla experiente, aliada à um chassis eficiente e a poderosa unidade motriz da Mercedes proporcionaram outra combinação extremamente bem-sucedida. Além de ser presença constante nos pontos, o mexicano conquistou o primeiro pódio dos indianos desde 2009 em sua 3ª corrida pelo time, enquanto o alemão já era figurinha carimbada no Top 6 de quase todas as etapas. Mais uma vez prezando pela consistência, a Force India deixou de pontuar em apenas duas etapas, Hungria e Estados Unidos, mas nem esses resultados foram suficientes para tirá-la da gangorra entre 6ª e 7ª nos construtores.

Fonte: upload.wikimedia.org

O ano seguinte foi um dos mais decisivos na história da equipe e certamente um dos maiores testes de resiliência para os indianos. Devido à uma gravíssima crise financeira, a Force India sequer participou da primeira sessão de testes de pré-temporada, levando o carro de 2014 para a 2ª semana, em Barcelona. Além disso, quando revelado, o monoposto de 2015 era simplesmente uma versão B do bólido utilizado na temporada anterior. A primeira metade da temporada foi modesta, entretanto, as atualizações introduzidas na 2ª metade da temporada permitiram que Nico e Sérgio escalassem ainda mais o pelotão, inclusive colocando o mexicano no pódio do GP da Rússia. Essa recuperação meteórica no 2º semestre foi suficiente para finalmente quebrar a sequência de resultados semelhantes nos construtores, colocando a equipe em 5º pela primeira vez em sua história.

Sergio Perez (MEX) Sahara Force India F1 celebrates his third position on the podium.
Monaco Grand Prix, Sunday 29th May 2016. Monte Carlo, Monaco.

Com a crise superada, 2016 era o cenário perfeito para a equipe deslanchar e estabelecer seu domínio do pelotão intermediário. O aumento do número de patrocinadores em relação ao seu começo na categoria era evidente, e mesmo tendo lidado com uma séria instabilidade financeira, além de ter um comandante envolvido em esquemas de corrupção, a Force India era agora considerada como uma verdadeira potência na briga pelas posições logo abaixo do pódio. Após um começo atribulado, ambos os pilotos foram novamente constantes e eficientes, pilotando um bólido muito bem nascido. Perez conquistou mais dois terceiros lugares e o time terminou 8 das últimas 10 corridas da temporada com os dois carros nos pontos. Se aproveitando da queda de produção da Williams no 2º semestre, a equipe assegurou seu primeiro 4º lugar da história com facilidade.

Circuit de Catalunya, Barcelona, Spain. Saturday 13 May 2017. Sergio Perez, Force India VJM10 Mercedes. World Copyright: Andy Hone/LAT Images Fonte: racedepartment.com

Entrando em seu 9º ano na categoria, a Force India parece ter encontrado uma fórmula para manter seu sucesso constante. Além do cuidado especial na escolha dos pilotos, a equipe interna também foi delicadamente selecionada nos últimos anos, culminando em um grupo extremamente qualificado, que por sua vez, proporciona essa sucessão de triunfos que torna a equipe um modelo de sucesso na Fórmula 1. Segundo o chefe de operações da equipe, Otmar Szafnauer, “as peças foram colocadas no lugar nos últimos cinco ou seis anos, isso não é algo que acontece da noite para o dia”. Essa presença constante na parte de cima da tabela gera uma atmosfera segura para patrocinadores investirem na equipe, não obstante, o carro da Force India é um dos mais recheados de patrocinadores das mais diversas áreas, enquanto Sauber e McLaren, que vivenciaram triunfos recentemente, batalham para conseguir estampar marcas em suas máquinas.

Em 2017, a equipe vive seu auge, aproveitando mais um ano de estabilidade e consistência para começar a entrar na briga pela 3ª posição nos construtores. Ultrapassar a Red Bull ainda é um cenário otimista, no entanto, o desempenho de seus pilotos no 1º semestre mostra que essa perspectiva não é um sonho, mas sim uma possibilidade viável no futuro próximo, provando que não só as garagistas multimilionárias têm vez na Fórmula 1 atual.

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Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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